A taxa Selic está em 13,75% ao ano. A inflação está em torno de 4%. Isso significa que os juros reais no Brasil estão em cerca de 9,5% — um dos maiores do mundo entre economias de tamanho comparável. Para efeito de comparação, os Estados Unidos têm juros reais de cerca de 2%, e a zona do euro, de 1%.
Essa diferença não é trivial. Juros altos encarecem o crédito para empresas e consumidores, reduzem o investimento, desaceleram o crescimento. Por que o Brasil não consegue ter juros mais baixos?
As explicações em debate
Há pelo menos três explicações que circulam entre economistas. A primeira é fiscal: o Brasil tem uma dívida pública elevada e um déficit fiscal persistente, o que exige juros altos para atrair compradores para os títulos do governo. A segunda é institucional: a incerteza sobre a independência do Banco Central e sobre a trajetória fiscal do governo faz com que os investidores exijam um prêmio de risco maior. A terceira é estrutural: o mercado de crédito brasileiro é pouco competitivo, com spreads bancários muito acima da média internacional.
Provavelmente todas as três têm alguma verdade. O problema é que cada uma implica soluções diferentes — e às vezes conflitantes.