Os números são inegáveis: o desmatamento na Amazônia Legal caiu de 11.568 km² em 2022 para 2.300 km² em 2025 — uma redução de 80% em três anos. É uma das maiores quedas já registradas, e aconteceu num período em que o mundo estava de olho no Brasil.
A conquista é real e merece reconhecimento. Mas ela também cria uma armadilha narrativa: a sensação de que o problema foi resolvido, quando na verdade o trabalho mais difícil está começando.
Por que caiu
A queda no desmatamento tem causas múltiplas. A reativação do Fundo Amazônia, que havia sido paralisado, injetou recursos em fiscalização e alternativas econômicas para comunidades. A operação das forças de segurança nas áreas de maior pressão desmatadora foi intensificada. E houve um efeito de sinalização política: o governo federal deixou claro que o desmatamento ilegal seria combatido, o que mudou o cálculo de risco de quem praticava a atividade.
O que vem depois
O desmatamento zero — meta para 2030 — exige mais do que combate ao ilegal. Exige que as comunidades que vivem na floresta tenham alternativas econômicas viáveis que não dependam do desmatamento. Isso significa investimento em bioeconomia, em manejo florestal sustentável, em cadeias produtivas que valorizem a floresta em pé.
É um desafio de desenvolvimento, não apenas de fiscalização. E é muito mais complexo do que aumentar o número de multas e apreensões.